Recentes

CARROS

BMW G 310 GS: primeiras impressões

Veja como anda a 'Mini-GS', que chega para brigar com a Kawasaki Versys-x 300. Moto se destaca pelo acabamento e versatilidade, mas motor incomoda pela vibração.


Por Rafael Miotto | G1, Itu (SP)

Mesmo que a G 310 R tenha sido a primeira moto de baixa cilindrada da BMW no Brasil, a expectativa em torno da G 310 GS, que acaba de chegar às concessionárias da empresa, é maior.

BMW G 310 GS (Foto: Marcelo Brandt/G1)
BMW G 310 GS (Foto: Marcelo Brandt/G1)

FOTOS: veja imagens exclusivas da 'Mini-GS'

Além do fato de que modelos no estilo aventureiro ou trail, como é o caso da GS, se adaptam melhor às ruas brasileiras em más condições, essa moto é uma “miniaturização” da maior lenda da história da divisão de motos da BMW: a R 1200 GS.

A “Mini-GS” traz as mesmas características de sua inspiradora, mas em uma escala menor e de preço mais acessível. Vendida por R$ 24.900, a G 310 GS tem freios ABS de série e pode enfrentar terra e asfalto.

Sem divulgar números de unidades específicos, a BMW espera que o modelo represente 60% das vendas em sua linha de baixa cilindrada, com 40% ficando para a G 310 R. Vale lembrar que a chegada das duas motos fez a empresa inaugurar sua própria fábrica em Manaus, com capacidade de produzir até 10 mil unidades por ano.

BMW G 310 GS  (Foto: Marcelo Brandt/G1)
BMW G 310 GS (Foto: Marcelo Brandt/G1)

O que G 310 S tem?

  • ABS de série
  • Suspensão dianteira invertida
  • Ajuste de pré-carga na suspensão traseira
  • Painel digital com computador de bordo
  • Suspensões longas para a terra
  • Roda de 19 polegadas na dianteira
  • Bolha dianteira
  • Freio a disco de 300 mm nas duas rodas
  • Lanterna de LED

Com quem concorre?

Com a chegada das BMW de baixa cilindrada, a empresa começa a brigar em uma faixa de preço em que estava ausente. G 310 R e G 310 GS são as mais acessíveis da marca alemã no país, apesar de não serem consideradas baratas.

A ideia é atingir um cliente que busca uma moto menor, mas com características “premium”. Assim, a GS não concorre com Honda XRE 300 e Yamaha Lander 250, mas é uma alternativa para clientes dessas motos que desejam subir um degrau.

Por suas características, a G 310 GS acaba concorrendo com um modelo de maior cilindrada: a Honda CB 500X.

O modelo japonês conta com motor de 2 cilindros e mais potente, enquanto a BMW é “mono”, porém, o preço de ambas é muito próximo.

Outra rival é a Kawasaki Versys-X 300, essa também com motor de 2 cilindros, mas com motor de cilindrada similar à da BMW.

Com uma opção sem ABS, a Versys-X 300 tem preço inicial de R$ 22.990, o que pode ser atrativo para quem procura uma moto sem o sistema de freio. Na BMW e na Honda, o sistema ABS é de série.

Em breve, mais uma moto deve chegar para esquentar a briga: a Royal Enfield Himalayan.

Como anda na terra?

Ao longo de 300 km, foi possível experimentar todo tipo de situação: desde cidade e rodovias, até estradinhas sinuosas e de terra batida.

A própria BMW define a sua linha “G”, de baixa cilindrada, como urbana. Logicamente, o Brasil não é igual a Europa, onde estas motos devem realmente focar neste uso. Por aqui, seu raio de ação deve se expandir pelas estradas.

Com suspensão mais longa que a G 310 R, a G 310 GS pode encarar a terra com facilidade. Outra diferença está na roda dianteira de 19 polegadas, enquanto sua “irmã” que não é feita para a terra tem roda de 17 polegadas na frente.

Na traseira, ambas motos contam com a tradicional roda de 17 polegadas.

Veja detalhes do sistema de suspensão:
  • Suspensões tem curso de 180 mm
  • Na traseira, é possível fazer o ajuste de pré-carga

Sua capacidade de superar obstáculos está de acordo com o que o segmento aventureiro pressupõe. Não que a G 310 GS seja uma moto de cross, longe disso, mas ela dá confiança ao motociclista para encarar estradas de terra batida e com pedras e cascalho.

Na terra, o motor se destaca pelo forte torque proporcionado. Não são necessárias muitas reduções de marcha, tornando a tocada mais confortável.

Aventureira compacta

A GS tem dimensões compactas para uma aventureira e o guidão não fica muito alto, sendo um pouco ruim para rodar de pé na terra. Mas ela oferece conforto durante a rodagem normal, sentado.

O motociclista fica bem relaxado na condução da moto, isso faz a sensação de pilotar a GS ser totalmente diferente da mais agressiva R, apesar de o motor ser o mesmo.

A ergonomia e amortecedores da GS ajudam também na cidade, onde a G 310 R pode ser um pouco desconfortável por suas suspensões mais curtas.

Os amortecedores da G 310 GS estão calibrados de modo nem muito mole e nem muito rígido, o que ajuda a manter a estabilidade tanto em terrenos mais acidentados, como no asfalto plano.

Subir a pré-carga na suspensão traseira, por meio de uma prática roldana, também ajuda a aumentar a rigidez. A altura do assento, de 835 mm, pode dificultar um pouco para mais baixinhos.

Com ABS de série, a G 310 GS possibilita aos usuários desativar o sistema (assista ao vídeo para ver como isso funciona), mas isso só é indicado para a pilotagem na terra, onde o travamento das rodas pode ajudar na pilotagem, não para o asfalto.

Com freio a disco simples na dianteira e na traseira, a moto possui uma frenagem progressiva, sem paradas bruscas.

Motor vibra bastante

Quando o G1 rodou com a G 310 R, o motor da moto estava um pouco “amarrado”, algo que se mostrou bem diferente na G 310 GS.

Nela, o motor de 313 cc se mostrou bem mais "solto" e prazeroso de utilizar, com acelerações bem esportivas. Mesmo assim, se a ideia é realizar viagens muito longas, o excesso de vibração pode ser um empecilho, principalmente, ao passar dos 110 km/h.

Manter essa velocidade ou mais por muito tempo pode ser incômodo. De acordo com a empresa, a moto pode chegar à velocidade máxima de 143 km/h. 

Veja alguns itens negativos do motor:
  • Alta vibração e barulho do motor
  • Perde fôlego em altos giros e alta velocidade

Uma pequena bolha na dianteira faz a moto deixar o piloto mais protegido, em relação ao vento, do que a G 310 R, mas nada de espetacular, ela poderia ser um pouco maior.

Com certeza, os melhores terrenos para usar a G 310 GS são estradinhas sinuosas de menor velocidade, na terra e na cidade, onde é possível explorar o que a de melhor em seu torque. 

Veja alguns pontos positivos do motor:
  • Alto torque
  • Boas retomadas

Prazerosa de pilotar

Com as ressalvas em relação ao motor, a G 310 GS é muito prazerosa de pilotar e proporciona uma boa opção de condução para o dia a dia. Mas o modelo não terá tarefa fácil com os concorrentes, que também trazem pacotes interessantes para o segmento.

A CB 500 X, por exemplo, é uma alternativa para quem deseja uma moto de cilindrada maior e com desempenho superior em longas viagens. Outra que se sai melhor na estrada é Versys-X, que acaba sendo um meio-termo entre a Honda e a BMW.

Assim, como o preço de todas é bem similar, a escolha vai depender mais do tipo de uso que o futuro proprietário deseja.

Postar um comentário

0 Comentários